A Caixa Econômica
guarda um volume de recursos para resgates das organizações que realizaram
depósito do FGTS entre 1966 e 1988
Poucos empresários sabem, mas a Caixa
guarda em seus cofres um volume de recursos que pode ser resgatado por empresas
que depositaram o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) entre 1966
(criação do FGTS) e 1988 (Constituição) para trabalhadores que optaram por não
receber o fundo.
Mesmo que não optassem – decisão
extinta na Constituição de 1988, quando o FGTS foi estendido para todos os
trabalhadores -, as empresas eram obrigadas a depositar 8% do pagamento dos
seus funcionários em uma conta denominada individualizada, e não na conta
vinculada, onde é depositado no FGTS convencional.
Quem não optasse pelo benefício
ganhava estabilidade no emprego ao completar dez anos de trabalho. A conta
individualizada do FGTS foi criada quando as empresas passaram a demitir as
pessoas com nove anos de casa, evitando assim o depósito do FGTS e a
estabilidade. Para proteger o trabalhador, o governo obrigou o depósito na
conta individualizada.
Nas contas do advogado Marcello Luna,
do escritório Luna Freire e Oliveira Advogados Associados, o saldo na Caixa da
conta individualizada gira em torno dos R$ 3 bilhões, recursos que serão
incorporados ao patrimônio do banco se não for resgatado no prazo de um ano.”
Tempo
“Em outubro de 2018 a Constituição
faz 30 anos e esse direito de resgate acaba, poucos sabem disso”, informa o
advogado. De acordo com Luna, que no momento trabalha na recuperação desses
créditos para o time de futebol carioca Fluminense e do Sindicato das
Indústrias de Construção Civil do Rio de Janeiro (Sinduscon), os dois clientes,
somados, devem conseguir cerca de R$ 500 mil. “Se a empresa estiver organizada,
com seus papéis em dia, o resgate ocorre em poucos meses – cinco, no máximo”, estimam.
Ele explicou que, na grande maioria
dos casos de resgate, as empresas aproveitam para quitar as dívidas que possuem
com o FGTS. A conta individualizada é separada em duas listas, segundo Luna,
para as empresas com mais de R$ 1 milhão a receber e as com menos de R$ 1
milhão – essas últimas são responsáveis por 90% do saldo.
A Caixa, por meio da assessoria de
imprensa, confirmou que existe um saldo a ser resgatado pelas empresas, mas
alegou que o cálculo dos valores é individual e não pode ser divulgado.
“Para apuração dos valores
envolvidos, torna-se necessário que cada empregador se habilite junto aos
representantes do Ministério do Trabalho, para que, individualmente, possam ser
descritos os valores passíveis de movimentação pela empresa”, disse o banco, em
nota.
Por um amigo, o gerente
administrativo e financeiro do Sindicato da Construção do Rio de Janeiro
(Sinduscon), Raul Carvalho, soube que o advogado Marcelo Luna havia levado uma
proposta de resgate do FGTS Empresarial ao centenário Colégio São Bento. “Perto
de completar cem anos (2019), o Sinduscon também poderia ter algo a receber,
mostrei nossos arquivos e estamos quase para receber. Fiquei surpreso.”
A história ocorreu em julho, e a
expectativa é de que já este mês o dinheiro já entre na conta do sindicato
patronal. Ter uma contabilidade e um setor de recursos humanos organizados foi
fundamental para o pleito junto à Caixa andar tão rápido, diz o executivo.
“Quando o advogado entra com o pedido
a Caixa pede a lista de todos os funcionários daquela época, tem que estar
preparado, e como a gente tem tudo bem organizado foi rápido.” As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Jornal Contábil

Comentários
Postar um comentário